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Camila Monick - GospelFree.com.br - O DDG, como a maioria dos CDs do grupo já é alvo de fortes críticas, sobretudo por falar da guerra ENTRE o povo de Deus. O estilo da banda também mudou, sendo destacado como um símbolo de evolução musical no Brasil. O que gerou essa mudança e a escolha desse tema?
Juninho Afram - Falando com relação ao som, acredito que a fizemos aquilo que gostamos de fazer, não pensamos friamente ‘queremos X ou Y’, simplesmente foi fluindo. A sonoridade é um consenso de todos diante daquilo que nós gostamos e gostaríamos do que o CD soasse, e tem uma grande participação nisso tudo, que é do Heros e o Pompeu, que são os produtores. Estamos, graças a Deus, muito felizes com o resultado.
Em relação ao tema, é algo que nos incomoda demais, queríamos realmente falar e trazer à tona algo que é uma realidade, uma infeliz realidade que vivemos, muitas vezes negada, muitas vezes encoberta, que acontece nos backstages. São líderes contra líderes, ministério contra ministério, e quem sai perdendo com isso tudo é o próprio povo de Deus. E as questões são sempre as mesmas: a vaidade, o orgulho, o ‘eu faço melhor que aquele’, ‘concordo com isso e não concordo com aquilo’... Não conseguimos viver diante de diferenças, e a igreja, em minha opinião, é um monte de pessoas cheias de diferenças, cheias de problemas. Muitas vezes os problemas acontecem, as divisões acontecem, e não é algo bíblico, muitas vezes é questão de maneira de viver, maneira de se encarar as situações, mas mesmo assim as pessoas dividem e se separam e acabam falando mal; esse é o problema principal, porque a Bíblia diz que ‘‘não andarão dois juntos se não houver acordo entre ambos’’. Às vezes você realmente não tem acordo com uma pessoa, não precisa andar junto, mas também não precisa criticar ou ficar metendo a boca e falando, isso é uma vergonha.
Uma vez um cara que não era evangélico chegou pra mim e disse assim: ‘‘olha cara, acho muito legal todo o trabalho de vocês e todo o trabalho que a igreja faz, mas eu vou te dizer uma coisa: vocês são o povo mais desunido que eu conheço e infelizmente por isso fica um pouco difícil querer andar no meio de vocês’’. Ouvi e tive que ficar quieto porque infelizmente ele tinha razão. A gente fala muito sobre o amor, mas na hora do ‘vamo vê’ mesmo, é uma coisa que falta demais no nosso meio. Essa música, que foi a que escolhemos para dar o nome ao CD, fala sobre isso; o que vai sobrar depois dessa guerra? Um monte de gente ferida, um monte de gente se desviando, saindo da fé... E quem perdeu com isso? Como diz a música mesmo: todos nós, o Reino de Deus.
GF – É difícil não falar da entrada do Mauro e da forte participação do Aposan, que nesse CD se sobressai com as técnicas de pedal duplo. O que estas duas participações influenciaram nessa nova fase do Oficina G3?
JA - O Aposan na verdade já estava com a gente desde o Acústico, mas foi nesse CD agora que ele pode mostrar o lado rock-and-roll dele. A entrada do Mauro com certeza foi algo que acrescentou muito ao trabalho do Oficina G3, deu uma nova cara sem perder a essência. Foi um cara que veio pra somar, que entrou totalmente na visão da banda e tenho certeza que realmente foi no tempo de Deus, uma pessoa que Deus mandou. A gente esperou, orou e buscou de Deus até que apareceu o Mauro, e estamos muito felizes com todo o resultado.
GF – E no site de vocês, diz que vocês próprios consideram este CD como um divisor de águas. A banda com uma carreira enorme, com quatro discos de ouro e duas indicações para o Grammy Latino. O que este CD tem de especial dos outros oito que já foram lançados?
JA – Três. Três indicações ao Grammy Latino. Acabamos de ser indicados novamente com o Depois da Guerra! Acho que é um CD que não foi criado propositalmente dessa maneira, mas ele acabou se tornando um CD quase que temático; fala sobre guerras de vários tipos, guerras interiores, guerras exteriores que há entre irmãos, mas ele também fala do socorro bem presente, que é o nosso Deus: aquele que invoca, aquele que busca, Deus sempre socorre. Acredito que esse trabalho tem um gosto especial pra gente, porque marca muitas mudanças, incluindo a entrada do Mauro. Esse foi um CD que Deus nos deu, todas as músicas foram experiências incríveis que nós tivemos com Deus, não que os outros CDs não tivessem sido, isso também aconteceu, mas acho que em cada CD é uma experiência nova, e eu espero que o próximo também seja um divisor, seja melhor ainda, seja também um tempo de novas mudanças, porque mudanças são sempre muito bem vindas.
GF – Oficina G3 já tem duas décadas de estrada e uma carreira de respeito, com pessoas que acompanham o grupo há vários anos. Depois de tanto tempo, ainda dá pra surpreender o público?
JA - A gente sempre quer inovar, e cada CD do Oficina G3 é diferente um do outro. Estamos sempre querendo nos atualizar, afinal de contas, quem vive de passado é museu (risos). Apesar de termos 20 anos de estrada, o pensamento é como se tivéssemos começado hoje, sempre buscando trazer uma coisa nova, trazer uma novidade, buscar sempre se superar.
GF - Com essa correria de shows, lançamento de CD, DVD e tudo mais, como ficam os ensaios da banda e a preparação espiritual para os eventos?
JA - Ensaio a gente só faz na época do primeiro lançamento, depois que ensaiou e todo mundo já sabe o que vai fazer, o resto é no próprio palco: vamos testando coisas, vendo coisas que funcionam, outras que não funcionam, então acaba sendo o palco o grande ensaio. A questão espiritual é indiferente se você é músico, pastor, levita, funcionário público, advogado ou dentista, acho que vida com Deus todo mundo tem que ter. Vida com Deus é independente daquilo que a pessoa faz. A preparação espiritual parte de, em primeiro lugar, da vida de cada um com Deus, porque afinal de contas a salvação é individual. Em grupo o que fazemos é estar juntos, orando. Quando temos tempo, conseguimos marcar algumas reuniões nossas de oração, então mais ou menos essa é a rotina, não é nada complicado, não é nada fora do normal. Acho que é algo fundamental e obrigatório na vida do cristão cada um ter a sua vida com Deus, indiferente da banda e indiferente de qualquer coisa.
GF – A pergunta que não quer calar: E o DVD? Quando sai e o que a galera pode esperar dele?
JA – Já estamos na pós-produção. Não vamos dar uma data ainda porque toda vez que a gente dá uma data, parece que dá o efeito contrário: o negócio tá pra sair em 1 mês, dai dá uma data e pronto, demora dois meses (risos). Então não vamos dar data nenhuma, mas o que eu posso dizer é o seguinte: estamos fazendo o máximo para que esse DVD saia o mais rápido possível, e a gente ficou muito feliz mesmo com as imagens, com o resultado da sonoridade e todo o som que foi captado. Estamos muito entusiasmados, e também muito ansiosos para ver o resultado final.
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