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Equipe GospelFree: Quando e como surgiu a banda Opus Dei?
Paulo: A banda Opus Dei surgiu há mais de 15 anos, na cidade de Campo Novo (uma pequena cidade do Rio Grande do Sul, na região noroeste do estado). Tocávamos só aos finais de semana, mas tínhamos uma chamada de Deus para sair e evangelizar, o que faltava era coragem, pois é difícil hoje sair, abandonar tudo, ir pra estrada, abandonar as atividades, faculdade... Mas minha mãe ficou cancerosa, desenganada da medicina, então eu fiz um propósito, um pacto de esquecer tudo e cair na estrada mesmo pra evangelizar, caso minha mãe ficasse livre daquele câncer. Deu certo: minha mãe foi curada e nós estamos há alguns anos nesse ministério. Hoje estamos com 8 CD´s gravados, gravamos o 9º CD ao vivo, juntamente com o DVD (no dia 26 de maio) e estamos viajando sempre dizendo não as drogas, não à violência, não à depressão, não a tantos males que assolam a sociedade brasileira; nós dizemos sim à paz, sim à alegria, sim a Jesus Cristo.
De onde vem o nome Opus Dei?
Quando a gente fez o propósito, precisava de um nome sugestivo pro trabalho. Buscamos vários nomes, era pra ser Estação Final ou muitos outros, mas não estávamos gostando muito. Começamos a pesquisar algumas coisas e descobrimos no latim Opus (que é uma obra musical) e Dei (Deus). Obra de Deus, que é o a gente faz, pois esse trabalho não é nosso, somos apenas funcionários da obra, então Opus Dei já está dizendo tudo, a obra é de Deus e não nossa.
Conte-nos um pouco sobre o grupo.
Temos uma turma de quase todas as idades, mas agora com uma turma um pouco mais renovada, mais jovem. O percussionista, pra quem não conheceu a formação mais antiga, já é filho do meu irmão que fica na mesa de som, quer dizer, já renovou dentro da própria família. -Então já é uma nova formação?- Sim, não é a mesma formação do início, até porque há três anos faleceu um dos nossos companheiros e entrou outro, então tivemos algumas mudanças naturais, mas tudo dentro do plano de Deus. Hoje vemos que é Deus quem manda, a obra é dEle e não nossa, a gente faz o que pode, mas todo o trabalho é Deus que vai organizando e a gente só vai entendendo.
Como que é a preparação para um evento?
Costumo dizer que somos “multiusos de Cristo”, pois a gente ajuda em tudo. Temos uma produção praticamente própria; o equipamento (palco, som e iluminação) é próprio da Banda Opus Dei. A gente viaja no nosso próprio ônibus, que tem 10 camas dentro. Quando dá pra ficar em hotel, ótimo, quando não dá dormimos viajando mesmo. A agenda da Banda Opus Dei é bastante corrida, a preparação espiritual acontece dentro do ônibus. Não temos tempo pra ensaiar nada, a gente ensaia tocando, por isso os irmãos sofrem conosco (risos)! Fazemos orações, estudo bíblico, uma escala de jejum e oração dentro do ônibus, que fica fixado no espelho, onde cada um tem o seu dia de jejum. A gente se reúne sempre antes de cada show pra orar juntos, pra ter aquela comunhão, sempre buscando se alimentar no lado espiritual, pra não virar só o musico gospel, mas queremos ser realmente evangelistas, realmente adoradores, integrados à obra. Claro que, pra quem observa o trabalho da banda, é um trabalho bem alegre, que é uma característica da banda Opus Dei (alegrar as pessoas). Entendemos que Jesus cura as pessoas chorando, mas também cura sorrindo, porque a alegria de Deus é nos ver sorrindo, ver as pessoas curadas, restauradas, sendo salvas; isso é alegria, isso não é tristeza, eu entendo que alegrar o povo faz parte da obra de Deus.
E as músicas que vocês cantam nos eventos? São todas de vocês, são pré-programadas, como funciona?
Todas não, mas praticamente 95% do repertório é próprio da Banda. Há algumas regravações de amigos, mas a maioria das musicas é nossa. Sou um dos compositores e tem mais um outro parceiro que vai compondo na estrada. A gente não costuma ser muito formal, a linguagem das nossas musicas é bem simples, porque é evangelismo, ao estilo que Jesus fazia. Quando usamos “deixa de bobagem, chega de sofrer”, é essa a linguagem que as pessoas entendem, elas tem que entender o evangelho, pois não adianta tocarmos por duas horas e ninguém entender nada. Temos que fazer com que elas compreendam para serem agraciadas pelo evangelho. Quanto à escolha das músicas, é bem relativo, a gente monta um repertório, mas na hora Deus nos leva pra outro ambiente e a gente muda tudo. Tem que ter um programa, é a nossa parte, mas daqui a pouco a gente olha e Deus começa a revelar as coisas, a gente começa a mudar todo o repertório automático, então tem muito do improviso pra deixar Deus agir, senão fica muito mecânico, muito organizado, ao ponto de não deixar Deus trabalhar. Tem que deixar Deus fazer o que Ele quiser.
Para encerrar: como você mesmo disse, vocês são bem animados, alegres. Qual a importância da receptividade do público pra vocês?
Depois de Deus confirmar um trabalho, acredito que o público já vem em segundo. Se você vir num evento e não tiver ninguém, não vale a pena montar equipamento, não vale a pena nada, quer dizer, o povo é que faz, o povo é vida, é a alma, o povo é o troféu, porque quando alguém se converte, esse é o valor mais importante pra banda, é alguém que se rende a Jesus Cristo, esse é o nosso objetivo. Nosso foco é evangelização, senão não vale a pena; se você não vê o fruto do teu trabalho, você começa a se irritar na estrada, vem o cansaço das vagens, o trabalho de montar e desmontar equipamentos, entrevistas, rádios, o dia-a-dia é bastante corrido. Se você não estiver todo dia carregando as baterias e vendo acontecer os sinais, não vale a pena, mas graças a Deus, temos tido essa força e Deus tem cumprido realmente o projeto em nossas vidas.
*Paulo Roberto é baixista e diretor da Banda Opus Dei, grupo que apresenta música gospel em vários estilos.
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